terça-feira, 7 de setembro de 2010

ENCARANDO A TENTAÇÃO

A busca da realização do ideal Divino contra os princípios deste Mundo




 INTRODUÇÃO:


Jesus disse que o cristão é alguém que vive no mundo mas não é do mundo. Esta é uma das maiores conquistas de um cristão. No entanto nem sempre é uma realidade na vida de muitos deles, principalmente quando percebem que são sempre tentados a praticarem coisas que ferem sua piedade e devoção, levando-os a pecar e a se distanciarem daquilo que se constitui como ideal Divino para o homem.


Esta questão sugere algumas perguntas que precisam ser respondidas, como por exemplo: Que mundo é este? Qual é o ideal de Deus para o homem? Por que somos tentados? E ainda: Como somos tentados? É possível vencer a tentação?


"Mundo", seria, no contexto dessas palavras de Jesus, a sociedade, ou o sistema de valores que define a sociedade. Se é a sociedade, ela pode ser definida nos esteriótipos que ela apresenta hoje, e/ou deve-se entender todas as sociedades de todas as épocas a partir de Jesus, incluindo o seu contexto É o lugar onde nos deparamos com o produto de toda a degeneração do homem caído, em nosso contexto, consumista, erotizada, hedonista, pragmática e relativista.


Uma sociedade que se encontra numa transição, ou melhor, encruzilhada, na definição histórica do período em que vive, sem saber ao certo onde está e onde irá chegar, diante de tanta violência cometida contra si mesma. Uma sociedade globalizada que transforma o "tudo em nada e o nada em coisa inexistente", logo, ela marcha contra o princípio criador de Deus, que transforma o nada em tudo e faz com que tudo venha a existir pelo poder de sua palavra.


Qual é o ideal de Deus para o homem, e quando este ideal veio a existir, a partir do que? O homem pode viver esse ideal neste mundo?


É neste contexto que Jesus nos faz permanecer, e nEle estamos, acima de tudo, tendo que enfrentar este problema de frente, em busca da realização do ideal de Deus entre os homens.


1. DEFININDO O TERMO


Do grego “peirazo”, a palavra refere-se a tentação e também é usada para indicar provação. Tiago diz que Deus a ninguém tenta, logo a palavra que se identifica com o caráter de Deus é provação. Tentação está ligada ao diabo, o tentador, que visa denegrir o homem perante Deus. A provação visa santificar o homem para a glória de Deus.


2. A NATUREZA DA TENTAÇÃO


Durante a Sedução da tentação, é fácil racionalizar e culpar Deus de ser o seu autor. Não, conforme Tiago diz, Deus não tenta ninguém. Fazê-lo, seria completamente contrário à sua natureza, aos seus objetivos e à sua prática.


Quem tentou Adão e Eva, no jardim do Éden? Quem tentou Jesus durante quarenta dias no deserto? Satanás, o diabo, que é chamado de tentador. A velha serpente, e é nosso grande inimigo. Ele anda em derredor, rugindo como leão, procurando a quem possa tragar. E ele tem um padrão de tremendo sucesso – que teve êxito, até certo ponto, com todos os membros da raça humana.


Note bem isto: tentação não é pecado. Nunca poderia ser. A Bíblia diz: “Jesus foi tentado em tudo, mas sem pecado (Heb 4.15).


A nossa reação, a nossa resposta, determina se pecamos ou não. De fato, a tentação, em si própria, é uma das coisas mais fracas do mundo. Sozinha, ela é totalmente impotente. Para ter êxito, a tentação sempre necessita de um parceiro - alguém para concordar com ela, para dançar com ela, para abrir a porta para ela, para dar-lhe as boas-vindas.


Tiago escreve que somos tentados segundo a nossa própria cobiça ou concupiscência, que são os desejos ilícitos (Tg. 1:14). Isso acontece devido a situação em que se encontra a alma humana, num estado mau.


Ao criar o homem, Deus colocou nele a inteligência e a vontade para escolher servir e agradar ao próprio Deus. O estado da alma humana era um estado de bondade, de atração para o bem, para o certo.


A sua natureza era a natureza da semelhança e imagem de Deus, o necessário para ele ser feliz e realizado.


Harold Allens, escrevendo sobre ‘Psicoteologia”, disse que conforme o passar do tempo e aumentando as responsabilidades e necessidades do homem, Deus iria lhe ensinar novas coisas, iria lhe dar novas capacidades. Iria revelar-se mais ainda a ele. Infelizmente o homem não foi maduro o suficiente para aceitar o que era, e o que possuía, e, ainda, de não aguardar as novas revelações de Deus a ele.


A serpente, figura da influência do mal que tem sua raiz no coração de Lúcifer, e se materializa nos valores e conceitos do sistema, gerou ou criou dúvida, curiosidade e, por conseguinte, ansiedade no coração do homem de estado bom. Essa situação o levou a desobedecer uma ordem de Deus, houve então, um desequilíbrio total e fatal na natureza humana e em toda a criação. O homem agora estava maculado pelo pecado, que rebaixou a sua alma a um estado mau.


Sua vontade não era mais para agradar a Deus, mas sim para agradar a si mesmo. Sua atitude o separou de Deus, e agora teria que “se virar sozinho” para conseguir viver ou melhor sobreviver, o que gerou nele temor, aflição, angústia, mais dúvidas, desespero e ansiedade.


Sem a direção de Deus, sem ouvir a voz dEle, o homem passou a dar ouvidos à sua própria voz e à de Lúcifer, que falava e fala através dos valores e princípios da iniquidade, materializada nesta sociedade que se formou a partir da desobediência a Deus.


O ser humano então formou conceitos, criou necessidades, assumiu um estilo de sobrevivência de auto-realização, para satisfazer mais as suas dúvidas do que suas certezas, pois a única certeza que tinha era a de que Deus não estava na sua vida e por isso em suas realizações. Mas ainda havia restado um pouco de Deus no homem. Lá no fundo de sua alma ainda havia um espaço, um lugar que aguardava por uma intervenção divina, que viesse enaltecer a imagem e semelhança de Deus no homem caído.


Com muito esforço, o homem conseguiu enxergar a oportunidade, ainda que imperfeita e deficiente, de voltar a fazer a vontade de Deus. Quando isso aconteceu, ele chamou Deus para fazer parte da sua história, a partir da iniciativa do próprio Deus de escolher e se revelar a um povo (Israel).


Ainda assim a sua natureza permanecia má, e sua vontade continuava a pender para si mesmo, de modo que Deus providenciou uma Aliança na forma de Lei que iria nortear, dar rumo, àquele povo. Povo esse, aliás, que recebeu a missão de transmitir suas experiências com o próprio Deus e sua Lei a todo o mundo.


Essa Aliança de Deus com o homem na forma de uma Lei escrita era apenas uma figura de uma Lei mais abrangente e mais eficiente. Uma Lei que não só daria direção ao homem, mas que poderia de fato agir na alma mudando a sua natureza má, transformando-a novamente em uma natureza boa.


Deus então providenciou, antes da fundação dos tempos, o meio pelo qual o ser humano voltaria a ter sua vontade voltada para Ele, vivendo não mais segundo o seu próprio coração e nem segundo as sugestões de Lúcifer. Deus decidiu se tornar humano através do Filho, Jesus Cristo, que no derramar de sua vida, introduziu nos corações humanos uma nova aliança com o Pai.


Reconhecendo sua situação de pecado e aceitando a obra redentora de Cristo, o homem passa então a ser uma nova criatura, um novo homem, que conforme Paulo apóstolo, é criado em verdadeira justiça e santidade da parte de Deus.


Esse novo homem, de novo coração e alma regenerada, caminha para o alvo da soberana vocação de Deus em Cristo através da santificação contínua do Espírito Santo. Portanto ele precisa agora receber a direção de Deus para a sua vida, estabelecida em sua palavra - a Bíblia - e no mais aquilo que seria básico para sua sobrevivência em comunhão com o seu próximo. Como? Através do viver igreja.


A igreja é a comunidade dos discípulos de Jesus Cristo que adoram a Deus e anunciam o seu Reino ao mundo. Como comunidade, é o lugar onde as pessoas se relacionam em amor e são aperfeiçoadas pelo serviço voluntário através do Dom do Espírito Santo. Como discípulos de Jesus Cristo, é o lugar onde apreendem dEle, vivem por Ele, e aguardam o dia de irem para Ele. Que adoram a Deus, é o lugar onde expressam sua devoção, dependência e amor àquele que é a razão da existência de suas vidas. Que anunciam o seu reino, é o lugar de onde anunciam e dão testemunho, ao mundo, do governo de Deus revelado em Jesus Cristo como Senhor, Salvador e libertador.


Assumindo agora a sua nova vida em Cristo, o homem passa, então, a enfrentar a luta diária contra a sua própria vontade, que o texto de Tiago na versão Revista e Atualizada no Brasil, traduz como cobiça, e em outra versão é traduzida como concupiscência da carne.


Essa luta que agora se trava (antes não existia, pois fazíamos a nossa própria vontade) é mediada, pelo lado de Deus, ou seja, lado do bem, pelo Espírito Santo; e pelo lado do mal, pela carne que é inflamada pelo diabo , o tentador. É a luta que apóstolo Paulo travava quando dizia “Porque o que faço, não aprovo, pois o que quero, isso não faço; mas o que aborreço, isso faço...Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e , com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem”. Mas ele ainda diz em outro lugar: “Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne.”


Cinco coisas que você não pode e pode sobre a tentação:
1. Você não pode impedir as tentações de virem, mas pode decidir o que vai fazer com cada uma delas.
2. Você não pode impedir os pássaros de voarem sobre a sua cabeça, mas pode impedi-los de fazerem ninho em seus cabelos.
3. Você não pode impedir o diabo de cantar em seus ouvidos as suas cantinelas de encantamento, mas não precisa juntar-se a ele e cantar um dueto.
4. Você não pode impedir o diabo de expor suas mercadorias na vitrine, instando para que você as compre, mas você não tem de comprá-las.
5. Você não pode impedir o Diabo de se colocar à sua porta e de bater incessantemente. Mas você não precisa abrir a porta, pô-lo para dentro, aquecê-los,vesti-los e alimentá-los.


3. A AÇÃO DA TENTAÇÃO


a) A tentação é sempre para pecar


Pecado é o objetivo da tentação. Embora toda a tentação seja aparentemente inocente, o único propósito do diabo é levar você a pecar.
O objetivo do Diabo é opor-se ao maravilhoso plano de Deus para a sua vida, e neste objetivo sinistro e destruidor ele está totalmente empenhado.


b) A tentação apela para os seus desejos humanos


O apelo da tentação é sempre satisfazer uma necessidade legítima de maneira errada ou na hora errada. O desejo intrínseco, por si mesmo, é bom, querer satisfazê-lo é bom, mas quando e como é satisfeito faz a diferença. O bem ou o mal estão na maneira como essas necessidades são satisfeitas.


c) A tentação apela para o ponto mais fraco de sua vida


Todos nós temos uma fraqueza especial. Como estrategista argudo, o Diabo reúne as suas forças mais poderosas no ponto mais fraco da batalha. As nossas diferenças de temperamento, personalidade, fraquezas herdadas nos levam a reagir peculiarmente a diferentes tipos de tentação. Pedro teve a sua tentação especial, e, certamente Tomé também.


d) A tentação começa na mente


O órgão sexual mais importante é a mente. Um “caso” começa na mente, muito antes de terminar na cama. O pensamento é a fonte da ação. O corpo é o servo da mente. O pensamento determina o caráter. O nosso caráter é moldado na forma de nossa concentração


4. A AÇÃO DO TENTADOR


O diabo tenta o homem gerando dúvidas e despertando desejos no seu coração:
Gerando dúvidas e despertando desejo por aquilo que Deus diz ser proibido fazer, e que não é necessário ou altruísta ao homem mas que, na realidade se constitui numa fraqueza e cobiça no seu coração, fazendo com que ele desobedeça a Deus. Assim aconteceu com Eva, e assim o diabo tentou a Jesus.


O diabo faz uso ou se aproveita da natureza carnal, ou seja, do instinto egoístico do ser humano, para produzir em seu coração valores contrários aos valores de Deus.


Por exemplo: você pode ser realizado pelo fato de ter uma casa que lhe ofereça aconchego, privacidade e funcionalidade, mas o diabo infundiu na sociedade o conceito de que o homem só se realiza possuindo uma casa luxuosa, cheia de bens valiosos. O que acontece então, é que o diabo tentará colocar em seu coração o desejo de ter uma casa deste quilate. Você então passará a gerar esta possibilidade, e automaticamente poderá perder a singeleza de coração, se apegará aos bens materiais, provavelmente começará a fazer acepção de pessoas, poderá se tornar uma pessoa altiva, soberba orgulhosa, ciumenta e desumana.
Ora, Deus quer que tenhamos uma casa e ela pode ser a mais simples ou a mais requintada, contanto que ela não seja produto de um sentimento de cobrança da sociedade e nem seja adquirida sob os alicerces dos valores deste mundo, e que principalmente, não tire de você os princípios e valores do reino de Deus.
Algo simples e básico nem sempre é algo simplista e descaracterizado, como um carro que sai de fábrica sem o retrovisor do lado direito, sem o protetor do motor, sem o limpador traseiro, e sem outras peças a mais que não são superfulas, mas sim essenciais ao mais simples dos automóveis.


Simples e básico é aquilo que é necessário para você viver feliz e realizado, tendo suas necessidades básicas supridas, na perspectiva de Deus. Se para alguém, um computador em casa não faz falta para sua boa convivência e sobrevivência, então ele não entrará em crise só porque o outro que entende que o computador é necessário para a sua boa vivência, possui um “Top de linha” , e ele não tem. De igual modo é a questão do carro, da televisão, do vídeo, da roupa, etc.


Se o que tenho é suficiente e permite que eu exista com dignidade, alegria, com gratidão e devoção a Deus e em comunhão com meu próximo, então isso é o simples e básico para mim. Já dizia o autor Bíblico: “Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei.”


O diabo trabalha se utilizando daquilo que 1 João 2:16 relata sobre a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.


Este tripé maquiavélico caracteriza o estado em que o homem vive na sociedade pós-moderna e das ideologias que estão por traz das propagandas, das organizações financeiras, do Estado, da política, da alta tecnologia, das guerras, dos filmes e novelas, etc. Tudo isto e muito mais, sendo promovido pelo marketing comercial, que se responsabiliza em produzir no subconsciente coletivo, o sentimento de necessidade das coisas.


Neste sistema mundano, não basta você ter um carro, ele tem que ser da “marca tal, da cor tal, 0km, que custa tanto, etc.”, pois o importante não é se ele pode transportar você com segurança , economia, e oferece um ótimo benefício. O Importante é o status que ele oferece, o carro, pode trazer, o prazer que pode proporcionar, “a onda que você pode tirar” (hedonismo).


Hoje em dia não basta ter um salário que dê para sobreviver com dignidade, “o bom é ser chefe”, mesmo que para isso seja preciso pisar nos outros, ser desonesto, e outras coisas piores (pragmatismo).


O diabo age fazendo com que o egocentrismo seja alimentado. É uma luta interior que precisa ser percebida naquilo que ele nos oferece ou sugestiona no exterior.


Jesus afirmou sede mansos como a pomba mas prudentes como a serpente. Não é uma questão de malícia, mas também não é de ingenuidade. É uma questão de sobriedade, algo muito bem entendido pelo apóstolo Paulo quando escrevendo a Tito disse: "Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente,..." Em outro lugar Pedro diz: "Sede sóbrios".


Jesus também disse: "Se teus olhos forem bons todo o teu corpo será bom, pois os olhos são a entrada do corpo".


É preciso ter consciência dos valores do Reino de Deus e, ter sobriedade e discernimento para perceber as artimanhas do inferno. É preciso refletir sobre nossas motivações: elas glorificam a Deus ou só satisfazem o nosso ego?


5. SUPERANDO A TENTAÇÃO


A Bíblia diz: “nem só de pão viverá o homem, mas sim de toda a palavra que procede da boca de Deus” (Mat.4:4). “Sede sóbrio e vigilante. O diabo vosso adversário anda ao derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resistir-lhe firme na fé...” (I Pedro 5:8 e 9). “Buscai, pois, em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mat. 6:33).


Jesus ainda disse: “Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a cada dia a sua cruz e siga-me”. A receita para vencer o diabo com suas tentações, o mundo com suas atrações, e a carne com seus desejos, é a renúncia do “eu” e o compromisso com Deus.


O princípio da renúncia nos ensina que o homem não é suficiente em si mesmo para superar as barreiras que o impede de ser moral e espiritualmente correto em seu relacionamento com o seu próximo e com Deus. E nos ensina que somente Deus pode proporcionar ao homem esta superação.


Três atitudes que se deve tomar em relação à tentação:


1. Anule-a, ficando de sobreaviso: Uma grande parte do poder da tentação está em sua estratégia de agir de surpresa.
2. Desenvolva uma consciência Bíblica: Mt 4.1-11
3. Descubra o segredo da vitória de Cristo: Obediência ao Pai, Cheio do Espírito Santo, saturado com a Palavra.


Conclusão:


As tentações que ecoam dentro da mente de um cristão não devem encontrar repouso em seu coração. Fomos libertos por Jesus Cristo de toda força do mal, do pecado e da carne, quando o recebemos como nosso Senhor e Salvador. Vivemos agora num processo de santificação que é efetivado pelo Espírito Santo: Ele nos aperfeiçoara até o dia de Cristo


Somos desafiados então a viver uma vida íntegra, de renúncia, simplicidade e compromisso com Deus, com atenção naquilo que diariamente se apresenta aos nossos olhos, para não cairmos em tentação.


O tentador já foi derrotado na cruz pelo Senhor Jesus, cabe a nós “resisti-lo na fé, nos sujeitando a Deus orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos.”


Que possa ecoar sempre em nossa memória o texto sagrado supra citado que diz: “Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei nem te desampararei.” (Heb. 13.5)


Referências Bibliográfica:

Amorese. Icabode.
Bonhofer. Tentação.
Caio. A síndrome de lúcifer.
Discipulado em profundidade.
Ferguson. Senhor, estou com um problema.
Foster. Sexo, dinheiro e poder.
Harold. Psicoteologia.
Hunt. A sedução do cristianismo.
Langston. Esboço de Teologia Sistemática.
Meyer. Doutrinas Bíblicas.
Romero. Evangélicos em crise.
Shedd. O Mundo, a carne e o diabo.
Stanley. Pós-modernismo.
Swindolls Firmando seus valores.
Vários. Como vencer a tentação.


--
Pr. André Santos de Almeida
Que Jesus seja o centro de todas as coisas

domingo, 5 de setembro de 2010

Estudo Bíblico: 22 Considerações sobre o Homem Espirítual !

Ser espiritual significa passar a dar prioridade as coisas espirituais, olhar para as coisas que são de cima, e entender que vivendo em relação espiritual com o Criados, automaticamente a vida material é tocada por Deus, de acordo com sua vontade….  Ser espiritual significa passar a dar prioridade as coisas espirituais, olhar para as coisas que são de cima, e entender que vivendo em relação espiritual com o Criados, automaticamente a vida material é tocada por Deus, de acordo com sua vontade.
Faremos um estudo de alguns textos bíblicos com o propósito de descobrir o que a Bíblia nos diz sobre o significado de ser espiritual,

1) O homem espiritual tem discernimento de coisas que o homem carnal jamais entenderá.


·I CORINTIOS 2.15 Mas o que é espiritual discerne bem tudo, enquanto ele por ninguém é discernido.

2) O homem espiritual entende que os ensinamentos bíblicos vêm de Deus, por isso os praticam.


·I CORINTIOS 14.37 Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor.

3) O homem espiritual deve entender as coisas espiritualmente, e não da maneira natural dos homens.


COLOSSENSES 1.9 Por esta razão, nós também, desde o dia em que ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual;


4) O homem espiritual se alimenta espiritualmente.  O ser espiritual também precisa ser tratado e crescer em “estatura”.  Como está sua saúde espiritual?


·I PEDRO 2.2 desejai como meninos recém-nascidos, o puro leite espiritual, a fim de por ele crescerdes para a salvação,


5) O homem espiritual é “casa espiritual” para abrigar o Espírito Santo, e exercer o sacerdócio.  (homens e mulheres).  Os sacrifícios do homem espiritual são espirituais.


·I PEDRO 2.5 vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo.

6) O homem espiritual não se ensoberbece, e não se mostra melhor do que os outros.  Ser humilde é garantir o reino dos céus.


·MATEUS 5.3 Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.

7) O homem espiritual deve vigiar a sua carne.  Não basta apenas ser espiritual, mas o crente deve vigiar a carne.


·MATEUS 26.41 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.

8)8) O homem espiritual tem discernimento dos caminhos maliciosos do ímpio.


·MARCOS 2.8 Mas Jesus logo percebeu em seu espírito que eles assim arrazoavam dentro de si, e perguntou-lhes: Por que arrazoais desse modo em vossos corações?

9) O homem espiritual segue o exemplo de autênticos homens de Deus.  O homem espiritual prega arrependimento.  Prepara o caminho para o Senhor.


LUCAS 1.17 irá adiante dele no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, a fim de preparar para o Senhor um povo apercebido.

10) Enquanto a alma engrandece ao Senhor, o espírito vai se alegrando em Deus.  (Quando o homem espiritual está triste, deve engrandecer a Deus, para que seu espírito se alegre em Deus)


·LUCAS 1.46,47 A Minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador;

11) O homem espiritual procura crescer espiritualmente, enquanto se prepara para cumprir o plano de Deus

.LUCAS 1.80 Ora, o menino crescia, e se robustecia em espírito; e habitava nos desertos até o dia da sua manifestação a Israel.

12) O homem espiritual sabe que morte não existe, pois um dia seu espírito estará diante de Deus  
·LUCAS 23.46 Jesus, clamando com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.  E, havendo dito isso, expirou.
·ATOS 7.59 Apedrejavam, pois, a Estêvão que orando, dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito.


13) Somente o homem espiritual consegue adorar a Deus de verdade.


JOÃO 4.23 Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.

14) O homem espiritual não aceita o pecado da idolatria.


·ATOS 17.16 Enquanto Paulo os esperava em Atenas, revoltava-se nele o seu espírito, vendo a cidade cheia de ídolos.

15) O homem espiritual ensina a palavra de Deus com precisão.  O homem espiritual muitas vezes precisa do Batismo no Espírito Santo.


·ATOS 18.25 Era ele instruído no caminho do Senhor e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão as coisas concernentes a Jesus, conhecendo entretanto somente o batismo de João.

16) O homem espiritual é direcionado por Deus em seu caminho, independente de qual seja.


·ATOS 20.22 Agora, eis que eu, constrangido no meu espírito, vou a Jerusalém, não sabendo o que ali acontecerá,

17) O homem espiritual serve a Deus.


·ROMANOS 12.11 não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor;

18) O homem espiritual também pode ser alvo de Satanás.


·I CORINTIOS 5.5 seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus.

19) O homem espiritual é um só espírito com o Senhor 

I CORINTIOS 6.17 Mas, o que se une ao Senhor é um só espírito com ele.

20) O homem espiritual fala o “idioma espiritual”.


·I CORINTIOS
14.2 Porque o que fala em língua não fala aos homens, mas a Deus; pois ninguém o entende; porque em espírito fala mistérios.
14.14.  Porque se eu orar em língua, o meu espírito ora, sim, mas o meu entendimento fica infrutífero.
13.15.  O que fazer, pois?  Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento.
13.16 De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o amém sobre a tua ação de graças aquele que ocupa o lugar de indouto, visto que não sabe o que dizes?

21) O homem espiritual recebe a graça de Deus 

·FILIPENSES 4.23 A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito.
·II TIMÓTEO 4.22 O Senhor seja com o teu espírito.  A graça seja convosco.

22) O homem espiritual enche-se do Espírito:

Falando sobre as coisas de Deus louvando a Deus com hinos louvando a Deus com cânticos espirituais Salmodiando ao Senhor no coração Agradecendo sempre a Deus em nome de Jesus Sujeitando-se aos irmãos no temor de Deus Efésios 5.18-21 E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós em salmos, hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração,sempre dando graças por tudo a Deus, o Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.

Autor: Pr.  Ricardo Ribeiro

SANTIFICAI-VOS! O SENHOR FARÁ MARAVILHAS.





SANTIFICAR: Tornar sagrado, separar, consagrar, fazer santo.


“ Disse Josué também ao povo: Santificai-vos, porque amanhã fará o SENHOR maravilhas no meio de vós.” Josué 3. 5 (arc).
Este ato de santificação (cf. Êx. 19.10,14,15) fala do princípio que Deus não operará poderosamente em favor do seu povo se este não estiver intimamente puro e em harmonia com a sua vontade. Antes de pedirmos que Deus opere sinais e maravilhas em nosso meio, devemos verificar se nosso coração é puro e se nossos desejos estão sob a orientação do Espírito Santo (ver At. 2.38 nota; 3.26 nota) (bep).
SIRVAMOS A DEUS EM SANTIDADE
“ De conceder-nos que, libertados das mãos de nossos inimigos, o servíssemos sem temor, - em santidade e justiça perante Ele, todos os dias da nossa vida.” Lucas 1. 74, 75 (arc)
O sumo propósito da nossa redenção é sermos libertos do domínio de satanás (At. 26.18), a fim de servirmos a Deus em santidade e justiça perante Ele, todos os dias da nossa vida (cf.Ef.1.4). Todo filho de Deus deve visar a ter uma vida de santidade e justiça em meio a um mundo mau. Essa vida santa é “perante Ele”, i.e., na sua presença. (bep)
SOMOS SANTIFICADOS PELA FÉ EM JESUS
“ Eu o livrarei do seu próprio povo e dos gentios, aos quais eu o envio para abrir-lhes os olhos e convertê-los das trevas para a luz, e do poder de satanás para Deus, a fim de que recebam o perdão dos pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.” Atos 26. 17 e 18 (nvi).
A santificação é o aspecto moral da transformação segundo a imagem de Cristo. Essa santificação tem início quando da conversão, produzindo modificações de natureza essencial em nosso ser moral. Esse processo tem prosseguimento por toda a vida, até que, já no reino celestial, ficará eliminada a presença total do pecado, juntamente com quaisquer inclinações para o pecado. (nti)
O SENHOR NOS ESCOLHEU PARA SERMOS SANTOS
“ Porque Deus nos escolheu nEle antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença.” Efésios 1. 4 (nvi).
“Santos”, no original grego, é “agios”. Tudo quanto é “consagrado a Deus”, naturalmente deve ser “santo” e apto para o seu serviço. E daí se originaram as idéias de “pureza” e “santidade”. Tal palavra é empregada para indicar a santidade infinita de Deus, a santidade dos anjos e dos seres espirituais. (nti).
A NOSSA GLÓRIA: VIVERMOS EM SANTIDADE
“ Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria humana, mas, na graça divina, temos vivido no mundo e mais especialmente para convosco.” II Coríntios 1. 12 (ara)
A base de Paulo para alegrar-se e gloriar-se era a sinceridade e a integridade do seu comportamento. Ele tomara a resolução de que, por toda sua vida cristã, permaneceria fiel ao seu Senhor; recusar-se-ia a conformar-se com o mundo, que crucificou seu Salvador, e perseveraria na santidade, até Deus levá-lo para o lar celestial (Rm. 12. 1,2). Na vida eterna futura, nossa maior alegria será a consciência de termos vivido a nossa vida “com simplicidade e sinceridade de Deus”, por Cristo nosso Salvador. (bep)
APERFEIÇOEMOS A SANTIDADE NO TEMOR A DEUS
“ Amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus.” II Coríntios 7. 1 (nvi)
A neutralização do antigo homem não é o bastante. É mister nos revestirmos do novo homem, o qual é amoldado segundo a imagem de Cristo, que compartilha de sua natureza, tanto na fase moral como na fase metafísica. Precisamos participar da santidade positiva de Deus Pai, compartilhando de seu amor, de sua justiça, de sua bondade, de sua longanimidade, de sua graça, em suma, de tudo quanto o Senhor Deus é moralmente. (nti)
DEUS É SANTO, SEJAMOS SANTOS.
“ Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, - pois está escrito: Sejam santos, porque Eu sou santo.” I Pedro 1. 15 e 16 (nvi)
Deus é santo, e as qualidades de Deus deve ser as qualidades de seu povo. A idéia principal de santidade é a separação dos modos ímpios do mundo e dedicação a Deus, por amor, para o seu serviço e adoração (ver Lv. 11.44 nota). A santidade é o alvo e o propósito da nossa eleição em Cristo Ef. 1.4); significa ser semelhante a Deus, ser dedicado a Deus e viver para agradar a Deus (Rm. 12.1; Ef. 1.4; 2.10; ver Hb. 12.14 nota). É o Espírito de Deus que realiza em nós a santificação, que purifica do pecado nossa alma e nosso espírito, que renova em nós a imagem de Cristo e que nos capacita, pela comunicação da graça, a obedecer a Deus segundo a sua Palavra. (bep)
JESUS FORTALECE O NOSSO CORAÇÃO, PARA ESTARMOS EM SANTIDADE
“ Que Ele fortaleça o coração de vocês para serem irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos.” I Tesalonicenses 3. 13 (nvi)
Paulo freqüentemente orava pensando na volta de Cristo (cf.Fl.1.10). Considerava que seria uma tragédia se, na volta do Senhor, alguns da igreja fossem surpreendidos vivendo em pecado ou indiferentes. Jesus salientou esse mesmo interesse (Mt. 24.42-51; 25. 1-13). À luz da volta de Cristo, o padrão bíblico é estarmos “irrepreensíveis em santidade”. Devemos ser sincera e totalmente dedicados ao Senhor e separados de tudo quanto o ofende. (bep)


A VONTADE DE DEUS: NOSSA SANTIFICAÇÃO.
“ Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição.” I Tessalonicenses 4. 3 (arc)
Embora vivessem numa sociedade onde o pecado sexual era comum e aceitável, os apóstolos não transigiam com a verdade e a santidade de Deus. Não rebaixaram os padrões morais para acomodá-los às idéias e tendências daquela sociedade. Considerando padrões a baixa moralidade que prevalece em nossos dias, precisamos de dirigentes do tipo dos apóstolos, para conclamar a igreja a obedecer aos padrões divinos de retidão. (bep)
ANDANDO EM SANTIFICAÇÃO, VEREMOS O SENHOR
“ Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.” Hebreus 12. 14 (arc)
Ser santo é estar separado do pecado e consagrado a Deus. É ficar perto de Deus, ser semelhante a Ele, e, de todo o coração, buscar sua presença, sua justiça e a sua comunhão. Acima de todas as coisas, a santidade é a prioridade de Deus para os seus seguidores (Ef. 4.21-24). Sem santidade, ninguém poderá ser útil a Deus (2 Tm. 2.20,21). Sem santidade, ninguém terá intimidade nem comunhão com Deus (Sl.15. 1,2). (bep).

Fonte: www.marcoslucio.com.br

Vinho Embriagante na Ceia do Senhor: Correto?

Ceia do senhor

Vinho Embriagante na Ceia do Senhor: Correto?

O Vinho nos Tempos do Novo Testamento
Vinho fermentado ou não fermentado? Segue-se um exame da palavra bíblica mais comumente usada para vinho. A palavra grega para “vinho”, em Lc 7.33, é oinos. Oinos pode referir-se a dois tipos bem diferentes de suco de uva: (1) suco não fermentado, e (2) vinho fermentado ou embriagante. Esta definição apóia-se nos dados abaixo.
(1) A palavra grega oinos era usada pelos autores seculares e religiosos, antes da era cristã e nos tempos da igreja primitiva, em referência ao suco fresco de uva (ver Aristóteles, Metereologica, 387.b.9-13). (a) Anacreontes (c. de 500 a.C.) escreve: “Esprema a uva, deixe sair o vinho [oinos]” (Ode 5). (b) Nicandro (século II a.C.) escreve a respeito de espremer uvas e chama de oinos o suco daí produzido (Georgica, fragmento 86). (c) Papias (60-130 d.C.), um dos pais da igreja primitiva, menciona que quando as uvas são espremidas produzem “jarros de vinho” [oinos] (citado por Ireneu, Contra as Heresias, 5.33.3-4). (d) Uma carta em grego escrita em papiro (P.Oxy, 729; 137 d.C.), fala de “vinho [oinos] fresco, do tanque de espremer” (ver Moulton e Milligan, The Vocabulary of the Greek Testament, p. 10). (e) Ateneu (200 d.C.) fala de um vinho [oinos] doce, que “não deixa pesada a cabeça” (Ateneu, Banquete, 1.54). Noutro lugar, escreve a respeito de um homem que colhia uvas “acima e abaixo, pegando vinho [oinos] no campo” (1.54). Para considerações mais pormenorizadas sobre o uso de oinos pelos escritores antigos, ver Robert P. Teachout: “O emprego da Palavra Vinho no Antigo Testamento”. (Dissertação de Th.D. no Seminário Teológico de Dallas, 1979).
(2) Os eruditos judeus que traduziram o AT do hebraico para o grego cerca de 200 a.C. empregaram a palavra oinos para traduzir várias palavras hebraicas que significam vinho. Noutras palavras, os escritores do NT entendiam que oinos pode referir-se ao suco de uva, com ou sem fermentação.
(3) Quanto à literatura grega secular e religiosa, um exame de trechos do NT também revela que oinos pode significar vinho fermentado, ou não fermentado. Em Efésios 5.18, o mandamento: “não vos embriaguez com vinho [oinos] refere-se ao vinho alcoólico. Por outro lado, em Ap 19.15 Cristo é descrito pisando o lagar. O texto grego diz: “Ele pisa o lagar do vinho” [oinos]; o oinos que sai do lagar é suco de uva (ver Is 16.10; Jr 48.32,33). Em Ap 6.6, oinos refere-se às uvas da videira como uma safra que não deve ser destruída. Logo, para os crentes dos tempos do NT, “vinho” (oinos) era uma palavra que podia ser usada para duas bebidas distintivamente diferentes, extraídas da uva: o vinho fermentado e o não fermentado.
(4) Finalmente, os escritores romanos antigos explicam com detalhes, vários processos usados para tratar o suco de uva recém-espremido, especialmente as maneiras de evitar sua fermentação. (a) Columela (Da Agricultura, 12.29, sabendo que o suco de uva não fermenta quando mantido frio (abaixo de 10 graus C.) e livre de oxigênio, escreve da seguinte maneira: “Para que o suco de uva sempre permaneça tão doce como quando produzido, siga estas instruções: Depois de aplicar a prensa às uvas, separe o mosto mais novo [i.e., suco fresco], coloque-o num vasilhame (amphora) novo, tampe-o bem e revista-o muito cuidadosamente com piche para não deixar a mínima gota de água entrar; em seguida, mergulhe-o numa cisterna ou tanque de água fria, e não deixe nenhuma parte da ânfora fica acima da superfície. Tire a ânfora depois de quarenta dias. O suco permanecerá doce durante um ano” (ver também Columela: Agricultura e Árvores; Catão: Da Agricultura). O escritor romano Plínio (século I d.C.) escreve: “Tão logo tiram o mosto [suco de uva] do lagar, colocam-no em tonéis, deixam estes submersos na água até passar a primeira metade do inverno, quando o tempo frio se instala” (Plínio , História Natural, 14.11.83). Este método deve ter funcionado bem na terra de Israel (ver Dt 8.7; 11.11,12; Sl 65.9-13). (b) Outro método de impedir a fermentação das uvas é fervê-las e fazer um xarope (para mais detalhes, ver o próximo estudo “O Vinho nos Tempos do Novo Testamento”). Historiadores antigos chamavam esse produto de “vinho” (oinos). O Cônego Farrar (Smith´s Bible Dictionary), p. 747) declara que “os vinhos assemelhavam-se mais a xarope; muitos deles não eram embriagantes”. Ainda, O Novo Dicionário da Bíblia (p. 1665) observa que “sempre havia meios de conservar doce o vinho durante o ano inteiro”.
O uso do Vinho na Ceia do Senhor
Jesus usou uma bebida fermentada ou não fermentada de uvas, ao instituir a Ceia do Senhor (Mt 26.26-29; Mc 14.22-25; Lc 22.17-20; 1 Co 11.23-26)? Os dados abaixo levam à conclusão de que Jesus e seus discípulos beberam no dito ato suco de uva não fermentado.
(1) Nem Lucas nem qualquer outro escritor bíblico emprega a palavra “vinho” (gr. oinos) no tocante à Ceia do Senhor. Os escritores dos três primeiros Evangelhos empregam a expressão “FRUTO DA VIDE” (Mt 26.29; Mc 14.25, Lc 22.18). O vinho não fermentado é o único “fruto da vide” verdadeiramente natural, contendo aproximadamente 20% de açúcar e nenhum álcool. A fermentação destrói boa parte do açúcar e altera aquilo que a videira produz. O vinho fermentado não é produzido pela videira [não é “fruto da vide”].
(2) Jesus instituiu a Ceia do Senhor quando Ele e seus discípulos estavam celebrando a Páscoa. A lei da Páscoa em Ex 12.14-20 proibia, durante a semana daquele evento, a presença de seor (Ex 12.15), palavra hebraica para fermento ou qualquer agente fermentador. Seor, no mundo antigo, era frequentemente obtido da espuma espessa da superfície do vinho quando em fermentação. Além disso, todo o hametz (i.e., qualquer coisa fermentada) era proibido (Êx 12.19; 13.7). Deus dera essas leis porque a fermentação simbolizava a corrupção e o pecado (cf. Mt 16.6,12; 1 Co 5.7,8). Jesus, o Filho de Deus, cumpriu a lei em todas as suas exigências (Mt 5.17). Logo, teria cumprido a lei de Deus para a Páscoa, e não teria usado vinho fermentado.
(3) Um intenso debate perpassa os séculos entre os rabinos e estudiosos judaicos sobre a proibição ou não dos derivados fermentados na videira durante a Páscoa. Aqueles que sustentam uma interpretação mais rigorosa e literal das Escrituras hebraicas, especialmente Ex 13.7, declaram que nenhum vinho fermentado devia ser usado nessa ocasião.
(4) Certos documentos judaicos afirmam que o uso do vinho não fermentado na Páscoa era comum nos tempos do NT. Por exemplo: “Segundo os Evangelhos Sinóticos, parece que no entardecer da quinta-feira da última semana de vida aqui, Jesus entrou com seus discípulos em Jerusalém, para com eles comer a Páscoa na cidade santa; neste caso, o pão e o vinho do culto de Santa Ceia instituído naquela ocasião por Ele, como memorial, seria o pão asmo e o vinho não fermentado do culto Seder (ver “Jesus”, The Jewish Encyclopaedia, edição de 1904, V.165).
(5) No AT, bebidas fermentadas nunca deviam ser usadas na casa de Deus, e um sacerdote não podia chegar-se a Deus em adoração se tomasse bebida embriagante (Lv 10.9). Jesus Cristo foi o Sumo Sacerdote de Deus do novo concerto, e chegou-se a Deus em favor do seu povo (Hb 3.1; 5.1-10).
(6) O valor de um símbolo se determina pela sua capacidade de conceituar a realidade espiritual. Logo, assim como o pão representava o corpo puro de Cristo e tinha que ser pão asmo (i.e., sem a corrupção da fermentação), o fruto da vide, representando o sangue incorruptível de Cristo, seria melhor representado por suco de uva não fermentado (cf. 1 Pe 1.18-19). Uma vez que as Escrituras declaram explicitamente que o corpo e sangue de Cristo não experimentaram corrupção (Sl 16.10; At 2.27; 13.37), esses dois elementos são corretamente simbolizados por aquilo que não é corrompido nem fermentado.
(7) Paulo determinou que os coríntios tirassem dentre eles o fermento espiritual, i.e., o agente fermentador “da maldade e da malícia”, porque Cristo é a nossa Páscoa (1 Co 5.6-8). Seria contraditório usar na Ceia do Senhor um símbolo da maldade, i.e., algo contendo levedura ou fermento, se considerarmos os objetivos dessa ordenança do Senhor, bem como as exigências bíblicas para dela participarmos (Fonte: Bíblia de Estudo Pentecostal, p.1517-19).
Portanto, o suco de uva não embriagante e não fermentado é a bebida mais apropriada para representar o sangue de Jesus na Ceia do Senhor. Por coerência, o pão, representativo do corpo de Cristo, deve ser sem fermento. O vinho fermentado é uma bebida alcoólica. Um sacerdote que tome vários goles de vinho dessa natureza por dia, em celebrações várias, tende a se tornar viciado. Qualquer espécie de bebida que contenha álcool é considerada uma droga, capaz de levar a dependência. A cachaça, por exemplo, é uma droga. Os ex-alcoólatras são orientados para não tomarem o primeiro gole, a fim de não desencadear um impulso incontrolável. O fornecimento de bebida embriagante a irmãos nessa situação, por ocasião da Ceia, seria desaconselhável. 
Fonte: www.marcoslucio.com.br
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